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Malpaís, lajial, hornitos: aprende a ler as lavas

Lanzarote · 3 min de leitura

Malpaís, lajial, hornitos: aprende a ler as lavas

A lava não é toda igual, e quando aprendes a distingui-la, a ilha inteira transforma-se num livro aberto. Há lava "de picos" — o malpaís (campo de lava caótico), um caos de rochas afiadas a que os ilhéus chamavam assim porque não servia para nada — e lava "de cordas" — o lajial, liso e ondulado como chocolate derretido que ficou parado. Há hornitos, chaminés de duende construídas por salpicos; bombas vulcânicas com forma de bola de rugby que voaram a rodopiar pelo ar; e o picón (cascalho vulcânico), essa gravilha negra que cobre metade da ilha e que tornou possível a sua agricultura. Este card é o teu dicionário básico de vulcão: cinco palavras e, de repente, a paisagem fala.

Primeira lição de vulcanologia insular: a lava tem dois temperamentos, e em Lanzarote convivem os dois. Quando avança quente, fluida e rápida, forma superfícies lisas, brilhantes, com pregas como cordas de barco: é o lajial (os geólogos chamam-lhe lava pahoehoe, palavra havaiana). Caminhar por um lajial é pisar um mar de chocolate solidificado — veem-se as ondas, os remoinhos, até os "salpicos" congelados. Quando a lava avança mais fria, lenta e pastosa, a sua crosta parte-se uma e outra vez, e o resultado é o malpaís (lava aa): um caos de blocos afiados, impossível de atravessar, que corta as botas e a paciência. O nome foi posto pelos camponeses, e é honesto: "mau país", terra que não serve nem para cabras. Hoje sabemos que vale muitíssimo — como habitat e como arquivo geológico —, mas a palavra ficou, e das Canárias saltou para a vulcanologia mundial.

Segunda lição: os detalhes. Os hornitos são pequenas chaminés de dois ou três metros construídas pela própria lava quando, ao passar sobre humidade, cospe salpicos que se vão soldando em torre — parecem esculturas de barro feitas por um gigante com pressa. As bombas vulcânicas são pelotas de lava lançadas em pleno voo: giram no ar, afiam-se nas pontas e aterram em forma de bola de rugby ou de fuso; há-as desde o tamanho de um punho até ao de uma máquina de lavar. E as coladas escondem túneis: quando a superfície arrefece mas o interior continua a fluir, a lava esvazia-se como uma torneira e deixa um tubo — assim nasceram a Cueva de los Verdes e os Jameos.

Terceira lição, a mais insular de todas: o picón. Também chamado rofe ou lápili, é essa gravilha negra e porosa que as erupções lançaram em quantidades astronómicas e que hoje cobre campos inteiros. Cada pedrinha é uma gota de lava cheia de bolhas de gás — por isso pesa tão pouco e por isso é uma esponja: de noite condensa o orvalho e entrega-o devagar à terra por baixo. Os camponeses transformaram essa propriedade num sistema agrícola único no mundo, os enarenados, que têm o seu próprio card.

Com este dicionário, qualquer passeio muda. Aquela planície partida à beira da estrada: malpaís. Aquela superfície acordoada junto ao trilho: lajial. A torrezinha solitária: hornito. O "grão" negro dos campos: picón. A ilha há três séculos que te conta a sua última grande erupção — só faltava o idioma.

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